Manter a fricção: rumo a uma política da tradução em Guadalupe Santa Cruz
DOI:
https://doi.org/10.35588/ayr.v8i1.7939Palavras-chave:
tradução, política da língua, ética do obstáculo, intraduzibilidade, Guadalupe Santa Cruz, prática críticaResumo
Este artigo aborda o problema da tradução concebida exclusivamente como uma técnica de transferência de sentido, regida por critérios de equivalência, fidelidade e transparência, e examina sua insuficiência para dar conta de práticas tradutivas que intervêm criticamente na língua. Seu objetivo é analisar a tradução do francês para o espanhol na obra de Guadalupe Santa Cruz como uma política de tradução voltada para sustentar a fricção, a alteridade e a não fechamento do sentido. A metodologia é qualitativa e analítica, baseada na leitura crítica de um corpus tradutivo composto por Sentido e sem sentido da rebeldia, de Julia Kristeva, e pelas traduções de textos de Jean Remy sobre Georg Simmel, com especial atenção às decisões léxicas, sintáticas e paratextuais, como as “Notas da Tradutora”. Os resultados mostram que a tradução em Santa Cruz não busca estabilizar significados nem neutralizar a intraduzibilidade, mas sim expô-la e torná-la produtiva na língua de destino. Conclui-se que sua prática tradutiva configura uma ética do obstáculo: uma intervenção material sobre a língua que transforma a perda, a falha e a estranheza em condições ativas do pensamento e em um gesto político de circulação crítica do conhecimento no contexto latino-americano.
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2026-01-23Publicado
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