A estética da financeirização: a influência do mercado na produção cultural em 10:04, de Ben Lerner
DOI:
https://doi.org/10.35588/ayr.v7i2.7147Palavras-chave:
financeirização, mercantilização, mercado literário, Ben Lerner, produção culturalResumo
Publicado em 2014, 10:04, de Ben Lerner, oferece uma perspectiva literária precisa sobre a financeirização da produção cultural norte-americana no período posterior a 2008. Inspirando-se no imperativo de Fredric Jameson de historicizar, este trabalho propõe uma leitura do romance tanto como narrativa quanto como ativo negociável, ajustado aos mecanismos especulativos que hoje estruturam a indústria editorial. No universo da obra, o prestígio de uma publicação em revista se converte em um adiantamento de “seis dígitos”; leilões competitivos transformam capital simbólico em valor monetário; e o trabalho do escritor circula como capital humano. Em passagens autorreflexivas – jantares de negociação, o cálculo minucioso do adiantamento em tratamentos de fertilidade, aluguel e frutos do mar em risco de extinção – o romance evidencia como a abstração conecta finanças, reprodução, ecologia e estética. Sua forma, que oscila entre o detalhe documental e a projeção especulativa, imita a volatilidade do capital fictício, revelando as tensões entre autonomia artística e imperativo comercial sem se apoiar na nostalgia de uma arte desvinculada do mercado. Inserido no contexto de longa duração da transição da produção industrial para o capital financeiro, 10:04 aparece como uma cartografia fragmentária, mas significativa, dos circuitos em que cultura, dinheiro e vida são co-valorizados sob o neoliberalismo. Desse modo, o romance se configura como recurso crítico para repensar de que maneira a forma literária registra – e questiona – as lógicas especulativas que hoje dominam as artes.
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Referências
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2025-02-09Publicado
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